Nelson Kossel da Silva

Nelson Kossel da Silva


Nelson Kossel da Silva, no canto esquerdo da foto.

Durante pelo menos 40 anos, Nelson Kossel da Silva foi um dos símbolos do Clube de Regatas Almirante Tamandaré, de Cachoeira do Sul – RS. Durante todas essas décadas, ele contribuiu para manter ativo o departamento de remo do clube, mesmo nas fases mais difíceis da associação.

Nelson dedicava atenção especial aos jovens carentes, e usou o remo como ferramenta para evitar que muitos caíssem na marginalidade.

Vivia remo 24 horas por dia. Quando cruzava nas ruas com jovens de porte indicado para o remo, convidava-os para experimentar o esporte. Alguns chegavam a considerá-lo um segundo pai, pela forma como os ajudou na formação de suas personalidades e na orientação que deu para suas vidas.

Mensalmente, Nelson percorria as ruas de Cachoeira do Sul, visitando comerciantes e pedindo uma contribuição a cada um, arrecadando desse modo cerca de R$. 1.000,00, que permitiam manter a garagem do clube em atividade.

O único remoergômetro existente no clube era tratado por ele como uma jóia rara, cuidadosamente coberto com uma capa plástica, para evitar poeira e manuseios desnecessários.

Outra jóia rara – e tratada como tal por Nelson – era um skiff Vicente Dors, fruto de uma doadora, em reconhecimento e apoio ao trabalho que Nelson desenvolvia.

Nas enchentes anuais do rio Jacuí, em cuja margem esquerda está situado o Tamandaré, a garagem era invadida pelas águas barrentas, algumas vezes até o teto. Nesses momentos dramáticos, Nelson e os demais colaboradores do departamento de remo, cercavam os barcos e apetrechos de todos os cuidados, retirando o que era possível e levando para local seguro, ou amarrando-os nos cavaletes, para evitar que fossem danificados. Depois, quando o Jacuí descia, todos se punham a limpar tudo, o que consumia dias e dias de trabalho duro.

Apesar do rio perigoso, dos poucos barcos e remos e do orçamento mínimo, Nelson nunca perdeu as esperanças de ver o Tamandaré reeditar os velhos tempos, quando remadores lá formados chegavam à seleção brasileira, como fizeram Oscar Alfredo Sommer e João Manoel Edmundo Malvarez, nos anos 70.

Seu falecimento ocorreu em 15 de abril de 2011, aos 69 anos, e foi muito sentido em Cachoeira do Sul, onde era querido e admirado pelo trabalho que realizava. Os céus pareceram solidarizar-se com a dor de seus familiares e amigos, enviando chuva e tornando o dia ainda mais sombrio.

Na manhã seguinte, um grupo de remadores do Tamandaré, fruto do seu trabalho, uniformizados e com seus remos, formou uma guarda de honra e acompanhados de cerca de 200 pessoas, levou Nelson para sua última morada.

Ao sair o caixão para o cemitério, a chuva fina parou e o sol brilhou.

Wilson Reeberg
 

 

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